
Estive no Sul, não faz muito tempo, e o que vi naquelas terras chamou a minha atenção. Lá estive em igrejas e também participando de uma reunião com o Presbitério - um único Presbitério até hoje - mesmo depois de 50 anos de Presbiterianismo instalado na região. Sim, você leu corretamente: um único Presbitério com cerca de 6 igrejas, em 50 anos.
Preguei pela manhã em uma IPB com cerca de 30 membros, com a presença de quase todos. No boletim desta igreja estava registrado algo que me fez parar e pensar: “tiragem: 35 exemplares”. Nunca tinha visto ou lido algo semelhante...
Fui ao Departamento Infantil e relato agora em números para os irmãos terem uma idéia das dificuldades existentes no Sul, rico em oportunidades financeiras, mas pobre em dinâmica evangélica: salas do DI até bonitinhas, tudo no devido lugar... mas apenas duas salas para crianças e para apenas ou no máximo 15 crianças, no máximo. Na “maior” IPB em termos de membresia, a Primeira Igreja Presbiteriana de lá, o número de membros ultrapassa pouco mais de 100. Seus desafios também são enormes em termos de evangelismo e quando chega um visitante; um rosto que até então não era conhecido ou visto, eles logo vibram!
Motivo de oração e ação!
Adolescentes nas igrejas de Porto Alegre vi poucos - bem poucos, jovens tem um pouquinho mais. Quanto aos membros das igrejas em geral, a maioria é de gente de fora do Rio Grande, que para lá seguiu transferida por firmas ou órgãos do Governo. Mas também vi gente fiel, dedicada e que ora!
O RS não fica no Pólo Sul, como imaginamos.
Por sua forte tradição separatista até, a verdade é que este importante estado do país foi ficando bem mais ao Sul das nossas mentes e corações do que já está, e nós praticamente o isolamos por lá. Como este estado foi colocado por nós mesmos em posição e situação bem distante!
Quase não ouvimos falar sobre o evangelho ou sobre trabalhos missionários no Rio Grande do Sul em nosso meio, e nem nos importamos ou nos preocupamos muito com isto. Colocamos o RS no Pólo Sul, na prática, e o deixamos ali, distante e gelado. Não oramos ao Senhor por esta gente que precisa do evangelho da Graça de Deus, orgulhosa de suas raízes, é verdade, prepotente em seus corações - muitas delas e muitas vezes, também é verdade, mas que segue desesperada. Esta gente do Sul está à procura da luz, revirando as trevas para ver se a encontra. É dos estados mais místicos que há, com intensa procura pela magia negra e por diversas práticas de cultos afros, onde se busca e consulta demônios à procura de paz e realização. Os modismos, a “auto-ajuda”, as palestras para o conhecimento próprio... todas estão por lá e são muito procuradas. No hotel onde fiquei hospedado teve uma, o dia todo, tratando de “Conscienciologia Internacional”, que eu nunca ouvira falar! Vi tanta gente indo buscar consolo nisso; resposta e paz. Pensei: como buscar consciência senão na Palavra de Deus, pois sem o Deus da Palavra todos os homens têm as suas mentes e consciências embotadas, prisioneiras de uma terrível depravação total que inclui toda a mente! Mas parece que assim são os gaúchos, e assim seguimos nós: não nos preocupando com a salvação de vidas naquela parte do Brasil, isolando-as por lá no, “tanto faz” se o RS está isolado no Pólo Sul das nossas orações e ações. A IPB precisa olhar com mais carinho, atenção, fé e ação para o RS. E a IPB somos nós.
Você sabe como é viver no Pólo Sul?
Das pessoas que conheci e que para lá foram deslocadas por seus postos de trabalho, ouvi afirmações como “pastor, até ter vindo para cá, eu nunca havia imaginado a dureza que é ser crente e viver a fé, aqui”. Agora, eles pensam e agem diferente. Eles sentem a dificuldade na pele e nas emoções, daí, apóiam mais os trabalhos locais, cedem mais, procuram se envolver mais, sim, os que eu ouvi, que vieram de igrejas de grandes centros e igrejas grandes em número de membros e atividades, hoje se doam por nossa igreja no Sul. Eles vivem o “Pólo Sul do isolamento” de seus irmãos em Cristo dos demais estados do Brasil. Por um momento, pensem o que é preparar tudo e não vir ninguém; montar tudo com muito esmero e quase não chegar gente, convidar, e convidar, e convidar... e ninguém querer vir... Viver no Pólo Sul é viver na frieza e no gelo. É assim que muitos dos nossos poucos irmãos por lá, muitas vezes sentem e se sentem. Deve ser horrível viver no Pólo Sul. É muito difícil viver e compartilhar a fé em Cristo ainda, no Rio Grande do Sul. Sobre o Pólo Sul, saiba disso (tirei de uma enciclopédia): “O Pólo Sul geográfico é um dos pólos geográficos da Terra, ou seja, é um ponto onde o eixo de rotação da Terra cruza a superfície. ...Os primeiros seres humanos a atingirem o Pólo Sul geográfico foram Roald Amundsen e seu grupo em 14 de Dezembro de 1911. O principal concorrente de Amundsen, Robert Falcon Scott, alcançou o pólo um mês depois. Na viagem de volta Scott e os outros quatro membros do seu grupo morreram de fome e frio extremo”. Isto com relação ao “Pólo”. E com relação ao RS? Continuaremos isolando as pessoas de lá para que morram de fome e frio eternos?
Não podemos ser frios como o Pólo Sul diante dos nossos irmãos gaúchos e dos gaúchos ainda perdidos.
Por vocação, amizade, proximidade e também grande necessidade, temos sido parceiros do Rio Grande do Norte e precisamos seguir com isso. Precisamos até fazer bem mais pelo RN, este estado não muito distante de nós e nordestino como o nosso. Devemos, contudo nos lembrar hoje que para cada Rio Grande do Norte que o Senhor Deus colocou nesta pátria, existe um Rio Grande do Sul. Então, podemos começar a orar e agir mais ao Senhor, para que Ele salve a nossa terra, esta terra varonil, sim que salve Deus a nossa terra, esta terra do Brasil. Que o Deus eterno aqueça os nossos corações pelo carente e isolado Sul do país.
Podemos criar barcos e pontes até o RS.
Da enciclopédia ainda, havia um trecho que falava sobre “O Pólo Sul da inacessibilidade”. Entre as grandes dificuldades, estão: que o Pólo Sul de inacessibilidade está localizado no mais distante ponto do Oceano Antártico. Que lá, os raios do sol chegam de mansinho, fracos, tocando de raspão a superfície e que a Antártica, no Pólo Sul, é um continente deserto. O Rio Grande do Sul não pode ter o mesmo relato em nossos corações, mentes e Missões. Não podemos permitir mais que o Sol da Justiça chegue lá de mansinho e nem deixar os seus obreiros, pastores, missionários e missionárias, gente séria com Deus, em um “continente deserto”. Temos que habitá-lo com as nossas orações e ações práticas. Portanto, incentivo a PIPR a fazer três coisas pelo RS:
1) Orar –coloque este estado o ano inteiro em suas orações. Mas ore todo dia pelo RS.
2) Apoiar – Entre em contato, escreva. Entre no site www.ipb.org.br e procure por nossas igrejas e congregações por lá; procure através da Junta de Missões IPB e estabeleça contato com os irmãos que ali residem. Eles ficarão muito felizes.
3) Agir – Que tal uma parceria; um contato mais próximo e eficiente com o RS? Podemos orar e agir sobre isto. Podemos entrar em contato, apoiar missionários, projetos, DIs locais. Deus pode trazer o RS mais perto da gente do que a gente imagina! Ele pode nos dar barcos de oração e pontes no coração, já que somos culpados (ainda que inconscientemente) de ter mandado o RS parar no Pólo Sul das nossas mentes e intenções. Irmãos, paremos hoje com isso. Pensemos além de Samaria e da Judéia. Há um “confins da terra” verde e amarelo, clamando por salvação em Cristo, chamado Rio Grande do Sul. |